todo modo tem seu mundo.
Seu lago,
seu narciso,
sua vida,
sua luz.
Que se perde num jogo de espelhos,
num segundo suicida de auto-reflexão.
Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves
todo modo tem seu mundo.
Seu lago,
seu narciso,
sua vida,
sua luz.
Que se perde num jogo de espelhos,
num segundo suicida de auto-reflexão.
Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves
(escrevendo reto por linhas tortas)
enceta mais um lance de sua eterna batalha
contra o Yang
(escrevendo torto por linhas retas)
o poeta insiste em escrever no escuro
por pura preguiça
de ascender à luz.
Paulo Eduardo de freitas Maciel de Souza y Gonçalves
Mais um pouco e teria filhos, gastando a alma e tornando-se visível aos olhos cobiçosos de uma miríade de egos infláveis, ao amálgama indistinto de todas as consciências tortuosas que julgavam-se abençoadas pela maldição de não morrer.
E na consideração da plausibilidade da insanidade a tanto tempo impingida foi que descobriu-se comum e medíocre, bem de acordo com a regra implícita que impõe ao loco que é loco que não o admita.
Assim, num universo de indescritível pequenez, alcançou a proeza de tornar-se no super-inseto bizorra, que lê o futuro de trás pra diante e age de cor e salteado na esperança de, através da média aritmética, manter os cantos de seu mundinho nos devidos ângulos de 90º.
Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves
Foram meses e anos e meses e a solução não veio. No entanto todos se sentiam bem, conectados àquilo que chamavam de isto e ninguém sabia o que era.
Interpelados em qualquer situação, no entanto eram unânimes em concordar: “Isto é bom! Ah sim, isto é muito bom!”
A despeito de qualquer prova em contrário, passaram a acreditar que isto era tudo, e em breve nada mais existia.
Limitados que se encontravam a só isto, era iminente a desgraça. E ela desgraçadamente sobreveio, rasgando aos olhos de todos uma nova e incompreensível realidade: This is it!
Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves
em busca da transmutação do abjeto em palatável
da merda em ouro
do ai em oi
do suspiro em exclamação.
Senão,
a rejeição insana à alegria estéril
seria pecado,
e a dicotomia intrínseca a toda ciência da fé
uma heresia imperdoável,
e todo trabalho de encriptografação de sentimento em poesia
um desperdício monumental.
No entanto, se assim o for,
que assim o seja,
e amém,
para todas as lágrimas despendidas em vão.
Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves
Fez-se sem honra nem brilho.
Faces sem nenhum sorriso.
No ato.
Preciso.
Preciso.
Preciso.
Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves