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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Panacéia II

Preso no quarto escuro, junto a uma sucessão infindável de considerações e lembranças desagradáveis.

Talvez seja apenas a noite, madura demais para desejos tão infantis. Talvez seja algo mais perigoso, e o vazio em meu interior seja um pálido reflexo do infinito vácuo exterior, uivando e gemendo sua pressa em consumir-me junto a tudo o mais.

É uma noite moderna, e há tempos o neon e o cabeamento por fibra ótica varrerram da realidade as ameaças das sombras correndo pelas paredes nuas. No entanto, a despeito do que assegurem mil diferentes religiões, ciências ou psicologias, não posso deixar de preocupar-me com aquilo que sinto.

Dor, fome, medo, fúria. Deus queira o telefone ligue o motoboy que me traga com urgência duas caixas de alívio imediato, antes que meu peito exploda e reverbere com o vento, doses do mais puro e refinado sentimento.


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Sonhos d'espadaria

Os sonhos são tolos
crivados de balas
abertos na faca,
contundentes e incisivos
como cacos de garrafa;
os sonhos são meus.

Os sonhos são planos
amorfos
insanos
triturados sob o peso do tempo que dispara
são pó
de pirlimpimpim.

Os sonhos são doces
com gosto de sangue
o velho
o ferido
o jovem
perdido
no olhar do predador.

O sonho é aquilo
que mantém-se vivo

no silêncio,
na friagem,
na total escuridão.


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de souza y Gonçalves

sábado, 31 de maio de 2008

Temáticos - I

Inverno que chega
e recolho-me ao frio.


Ninguém sonha os sonhos
que sonho comigo.


Enquanto os encantos
em quartos escuros
não fazem da vida mais plena ou vazia
enchendo os olhos de quem testemunha
vagas angústias virando agonia.


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves