domingo, 3 de janeiro de 2010

Papel social

Sempre fiel ao cabresto auto-inflingido através das aulas de marketing pessoal, trocou o terno semi-escuro pelo terno mais-escuro, mudou o nó da gravata para um sóbrio Windsor bi-lateral multi-compatirmentado em três tons, e foi para a rua confiante de que a todos quantos o viam passava eficientemente a mensagem de sua promoção de A4 para "letter".


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Alguém já viu?

Diz que é um de sete filmes financiados pelo Banco do Brasil.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Etimologia

E quem então nessa vida é que me há de convencer


que se o Trabuco é neto de um velho Trebuchet,


não seriam também, Ferpas e Felpas primos


e conforme seu caráter,


se mais áspero ou macio,


Ferpudos ou Felpudos


o apelido de seus filhos.


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Poema no ôbus

O Projeto Poesia no Ônibus é uma das iniciativas surgidas através da gestão participativa e colocadas em prática no governo do ex-prefeito municipal Péricles de Holleben Mello em Ponta Grossa - PR.


Segundo a proposta original, era pra se chamar Poesia no Lombo e distribuir camisetas estampadas com poesias de artistas da região para a população princesina. Eu sei porque ainda tenho em algum lugar o rascunho da ata da reunião do grupo de literatura com o nome sugerido por mim mesmo.


Como os meios políticos regionais continuam tradicionalmente refratários a idéias mais arrojadas ou incomuns (ainda que só no nome), o projeto acabou sendo reformulado para se tornar o atual Poesia no Ônibus, em que, através de concurso municipal, algumas obras são anualmente selecionadas para serem expostas por alguns meses nos coletivos públicos da cidade.


A primeira vez que participei tive selecionada a poesia "Como eu amo você", que está a uns dois ou três posts abaixo, e no concurso desse ano selecionaram a "Poema Oculto", que reproduzo nesse post. É a terceira ou quarta vez que um texto meu será publicado em uma coletânea de artistas locais. Eu sei que isso não é motivo para vangloriar-me, nem é essa minha intenção.


Eu só queria convidar a quem puder pra piar quinta agora dia dez as quatro da tarde na garagem da VCG perto do Fórum comer um pão com xaxixo que o pessoal tá disponibilizando. Não tomem banho nem troquem de roupa a partir de hoje, que vai ter inclusive imprensa de fora cobrindo, diz que.


Link oficial. Valeu Tonhão por lembrar!


Poema Oculto


Ela é totalmente pura

e eu como o calor da neve.


Como a flor da margarida,

como a flor da Margarete.


Como a flor da própria vida,

como vida que derrete...


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Jargão café-com-leite

Talvez a palavra sem nexo

seja somente reflexo

da identidade perdida.


Da mentalidade caçada,

cansada,

emboscada,

abatida.


O eu,

lutando por sua unidade

na era sem fim das multitudes mundiais.


Talvez seja apenas engodo,

peão e engrenagem no jogo

de manter-se super

estruturas tão banais.


Talvez quiprocó de si mesmo,

o homem caminhando a esmo

resolveu de dar risada...


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Hora degradê

Vai então,

ser top model do próprio destino,

da verdade onipresente,

da impotência em revidar.


Viver suas rimas

tão cheias de prosa,

tão ricas,

tão infelizes.


Vai,

interpretar os tais sonhos escolhidos a dedo,

que falar por falar sem falar por si mesmo

é imensa ousadia pra quem nada diz.


Vai,

ao pregão dos leiloeiros do caminho que é sem volta,

já que o valor do lance também pouco lhe importa

quando a vã recompensa são embalos de sábado adeus.


A horta dos sonhos meigos é regada a palavras chulas

e exige bem mais trabalho que a indústria da eterna mesmice.


Então vai você, que eu fico por aqui mesmo,

sabedor que seu vinerlóser não passa de moeda de troca no câmbio da ideologia, analfabeticamente rendido ao mantra:

Muito karma nessa hora...


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Parabéns pra você

E vai passando cada vez mais rápido
e vai ficando mais e mais igual.

Ainda ontem era outro dia
agora hoje é um dia a mais.

E eu creio é claro que uma tal rotina
não seja nunca
nada,
jamais;

ou seja eterna
pra sempre,
fatal.

Talvez apenas o mais velho engano:
cérebro humano
corpo de metal.



Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves