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domingo, 6 de outubro de 2013

Vento venenento

Somos N.

Nas baNaNas
somos aliteração.

Gritando verdades aos quatro ventos
puro veneno
embutido em traição.

Somos nossos próprios nomes
que se dizem nomes próprios
eivados de vícios e ócios
vazios em variação.

Mas não.

Antídoto conforme o vento
somos caos causador de alento
constância e constatação.

Pois que o exato oposto
é menos fazer de outro jeito
que causar oposto efeito.



Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

domingo, 13 de julho de 2008

Aulas de oficinas

- Depois que descobri que o movimento surrealista foi o mais retumbante fracasso em termos de literatura, minha vida não foi mais a mesma.
- Sério? Por quê?
- Porque eles ambicionaram demais e conseguiram de menos, ou seja, imaginaram que a escrita automática revelaria o lado mais puro da escritologia, mas desconhecendo que a linguagem literária obrigatoriamente segue uma estrutura linear e diversa da estrutura da consciência, estavam fadados ao fracasso.
- Bah! Mas isso eu sei! Quero saber por que sua vida nunca mais foi a mesma depois dessa merda.
- Passei a escrever tipo assim:
Prólogo:
- Esse?
- Não.
Cânones regras e dogmas
- Esse aqui, com uma mochila dentro.
E uma pedrada, uma roubada, uma corrida.
Epílogo:
- Que que tem dentro?
- Livro... Caderno... Mulher pelada!
- Fan-zin-ne? Per-ver-sor?
- Chama Jesus de filho da puta!
- E daí?
- Sou religioso, respeito Jesus.
- Meu! Jesus diz pra não roubar!
- Só se for dos ricos pra dar pros pobres.
Fim
- Ihhhhhh! Gostei não...

Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves