Em meio ao traçado
do espaço coletivo
partes de uma vida
que não se soube viver.
Entre flores de figueiras
recém-amarelecidas
registros da memória
de um ser que se esqueceu.
Entre os carros vagarosos
de alunos de auto-escola
lembranças de antigos dias
em que os dirigia eu.
Sob a sombra das figueiras
sobre as flores caídas
imagens do acidente
em que em mim teu sim morreu.
Paulo Eduardo de Freitas maciel de Souza y Gonçalves
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sábado, 19 de julho de 2008
No meio do caminho, parada pra escrever
domingo, 13 de julho de 2008
Aulas de oficinas
- Depois que descobri que o movimento surrealista foi o mais retumbante fracasso em termos de literatura, minha vida não foi mais a mesma.
- Sério? Por quê?
- Porque eles ambicionaram demais e conseguiram de menos, ou seja, imaginaram que a escrita automática revelaria o lado mais puro da escritologia, mas desconhecendo que a linguagem literária obrigatoriamente segue uma estrutura linear e diversa da estrutura da consciência, estavam fadados ao fracasso.
- Bah! Mas isso eu sei! Quero saber por que sua vida nunca mais foi a mesma depois dessa merda.
- Passei a escrever tipo assim:
Prólogo:
- Esse?
- Não.
Cânones regras e dogmas
- Esse aqui, com uma mochila dentro.
E uma pedrada, uma roubada, uma corrida.
Epílogo:
- Que que tem dentro?
- Livro... Caderno... Mulher pelada!
- Fan-zin-ne? Per-ver-sor?
- Chama Jesus de filho da puta!
- E daí?
- Sou religioso, respeito Jesus.
- Meu! Jesus diz pra não roubar!
- Só se for dos ricos pra dar pros pobres.
Fim
- Ihhhhhh! Gostei não...
Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves
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