sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Vai e vai


Faz dias
que faz noites

que faz noites
que faz dias.

Um segundo de cegueira sob a luz em movimento.

Que faz noites
que faz dias

que faz noites
que faz dias. 

Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

domingo, 7 de agosto de 2011

Drag King

O Sol é o astro-rei
e o rei tem que ser forte.
Mas só durante o dia
que a noite reina a rainha.


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

domingo, 31 de julho de 2011

Nem isso, nem aquilo

Não ponho o anel, não calço a luva
não calço a luva, não ponho o anel


não faço escolhas 
não mudo rumos
nem mando o mundo 
tomar no cu


posto que não cabe 
servir a dois senhores
a quem não se serve 
de senhor algum.


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

sábado, 23 de julho de 2011

Antologias

Como eu não consegui fotos do evento de entrega dos exemplares aos premiados nas edições 2009 e 2010 do Concurso Municipal de Contos, Crônicas e Poesias de Ponta Grossa que aconteceu há um ou dois meses atrás, mas estava decidido a criar um post com imagens relacionado ao evento (posts com imagens aparentemente atraem mais visitantes, talvez por facilitar o entendimento de quem não tem muita familiaridade com a leitura, como crianças de menos de seis anos...) decidi postar os scans dos livros com alguns comentários a respeito. 


Mas uma vez que ia postar as edições 2009 e 2010, decidi dar uma fuçada por aqui a procura de outros exemplares em que tivesse sido publicado algum de meus textos e encontrei mais duas antologias do ano de 2007, sendo a primeira a brochura Poemas de Ponta, que é resultado de uma parceria da UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa, também conhecida por Universidade Estadual do Paulo Gonçalves) com a prefeitura para divulgar artistas locais, e a segunda a edição do respectivo ano do mesmo concurso donde posteriormente saíram as edições que me motivaram a criar esse post. 


Assim sendo, tendo-lhes introduzido o conversê, às figurinhas: 







Essa é a capa do Poesia de Ponta que conta com uma minha participação. Ao que me consta, existiram edições anteriores do projeto, das quais eu não tenho nenhuma cópia.




Essa é a página onde saiu o meu texto, que como todos podem perceber, não saiu com o meu nome, e sim com o e-mail de contato que eu enviei. Isso porquê eu estava em Arapoti na época, e acessava a internet lá de vez em quando em uma lan house, e o e-mail da prefeitura avisando da minha participação foi pro lixo como spam sem eu nem notar. Quando compararem com as postagens nos blogs, percebam também como eles "corrigiram" meu texto, tirando da penúltima estrofe a crase que dá todo o tchans estiloso à trama, dizendo sem falar nada coisas que só quem entende pode enxergar.  


Quer ver uma coisa que cresce na mão? Clique na imagem! Quer ver a postagem original desse texto no Nosso Garfo de Cada Dia (blog coletivo nascido de uma iniciativa da Thaty Marcondes, ativista da cultura no município, onde eu comecei a publicar meus textos) clique aqui. Quer ver a postagem desse mesmo texto no Seuvício? Clique aqui. O legal desses links pra postagens antigas é acompanhar a reação dos visitantes através dos comentários. Recomendo.





Essa é a capa da primeira edição do concurso municipal em que saiu um texto meu. Essa edição teve o evento de entrega mais luxuoso, no recém-reformado Cine-Teatro Ópera (obra que a mídia conservadora local chamava de desperdício, pois pra eles só o que importa é abrir novos loteamentos, né?), e eu caipiramente não beijei a hostess, ao contrário de todos os outros premiados. 




Aqui o texto que entrou pra essa antologia de 2007, nas páginas finais do livro, porque entrou através da Poesia no Ônibus, que é uma premiação paralela e mais popular, e para a qual alguns autores da região torcem o nariz, já que a premiação não é em dinheiro, e sim em livros e veiculação nos coletivos. Depois reclamam quando não conseguem atingir o público...


Eu, particularmente, creio que cada modalidade tem suas vantagens. Claro, é bom receber os dois ou três ou sei lá quantos mil reais que andam pagando nesses concursos ultimamente, mas esse lado da interação com os leitores, de gente que você nem imaginava que sabia ler, vir do nada te contar o quanto gostou ou odiou ou achou seu texto singelo ou nojento é muito divertido. 


Sobre essas reações, tenha uma pálida idéia acompanhando os comments aqui (no fim da página tem o post duplicado) e aqui


Em 2008 eu não lembro se não teve concurso, ou se eu não fui selecionado, ou se não tinha dinheiro pro correio... Mas de qualquer forma, entrei pelo Poesia no Ônibus de novo em 2009. 


Aqui o texto do poema que se oculta por trás da ocultice da poesia... Nessa edição a premiação foi lá na VCG (empresa de ônibus da cidade que detém um monopólio perfeitamente legal mas totalmente imoral - o que é um paradoxo em se tratando de contratos públicos que devem ser regidos pelo princípio constitucional da moralidade, não é mesmo? - que vêm tentando através de campanhas de marketing, e do apoio a projetos populares como o poesia no ôbus, limpar o filme queimado junto à população da cidade) e eu pedi pra o povo ir fedido e mulambento aparecer na televisão, mas ninguém pôde porque era de tarde... 


Mas não tem problema, várias outras pessoas bonitas e elegantes compareceram, e juntos comemos empadinhas e pão com  patê até o cu fazer bico.

Postagem no Nosso Garfo (pra você ver como o mundo é injusto, no comments nessa premiadíssima composição) e postagem aqui mesmo (altos comments de altas gentes reais e imaginárias!).




Capa da antologia de 2010. Que coloridão bonito, né? Dessa vez não entrei pelo ônibus, ganhei menção honrosa. Pior jogo, não recebo nem divulgação no busão, nem a grana dos preibói, só os livros e coisa e tal. Mas fazer o que né? Diz-se que um camponês inculto como eu não deve esperar muito da vida sob pena de decepcionar-se amargamente...




Dessa vez foi um conto. Segundo o edital, o concurso era pra micro ou mini-contos, mas conhecedor dos pendores dos juízes locais, eu mandei esse contão prolixo aí do lado. É que eu sigo ao pé da letra os conselhos do Tchecov e corto todo elemento dispensável à narrativa. E, em tempos de pós-estruturalismo, acabo com contos de uma linha (ou menos).


Eu poderia jurar que tinha postado esse mesmo contão no Nosso Garfo, mas procurei de todo jeito e não achei. Assim sendo vai um link só mesmo.




Esse ano eu não tinha dinheiro, então não me inscrevi em nada. Eu não sei dizer se os concursos literários de Ponta Grossa têm uma categoria nacional, mas parece que eventualmente sim. Tinha um edital aberto até esses dias, quem se interessar pode procurar no site da prefeitura de Ponta Grossa, ou na comunidade Concursos Literários no orgute, que sempre tem anúncios desse tipo de parada doida.

sábado, 16 de julho de 2011

Paraísos pós-modernos

Num tempo

em que as laranjas são mecânicas
e os amores
conceitos pré-fabricados a pedido do freguês

o paraíso neo-dândi
são buquês artificiais,

nos quais cheirar
hoje
as emoções de amanhã.

Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

sábado, 9 de julho de 2011

Ruminâncias

Quando o caminhar monótono em busca da absorção da grandiloqüice do mundo foi interrompido em nome das regras, horários e convenções que ditam o passo do convívio social, a insubserviência crônica e explícita a todo tipo de código de comunicação ou conduta foi tida como domada.

Mas os caminhos ainda eram os mesmos, e aqueles que os percorriam ainda rumavam ao mesmo fim.


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

terça-feira, 5 de julho de 2011

Palavra e meia é bobagem

Para meio entendedor, boa palavra é bosta.
Para o meio entendedor, boa palavra basta.


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Noites áridas


Meia-noite
pouco sono
menos sonho

e as lembranças de um antigamente tão próximo

cuja presença

ainda impregna os caibros deste meu leito

que se não é de morte
tampouco se presta a qualquer tipo de vida.


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Movimento



Pois morrer é isso mesmo, alimentar-se de lembranças até esquecer tudo e acabar virando outra coisa.

Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Estática

E se existe o que não se compreenda sobre quem não está aqui para disputar entediantes jogos de poder, é que há algo de suave na constância do toque de múltiplos cosmos em desvanecimento.



Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Obliteração


E dizia-se
que era assim que se faria
para conquistar-se o mundo.

Esquecendo
que era assim que se esquecia
quando esquecia-se tudo.

Como se a vida
fosse esgrimir em palavras
ou um simples rememorar rimado. 

Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Distinção

O dia é para ser visto
e a noite para ser ouvida,
bem como as ciências sociais são, hoje, 


hiato


entre as especulações metafísicas de ordem Kantiana
que serão ontem,
amanhã.




Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

sábado, 30 de abril de 2011

Cartas à Thoa

São todas coisas tão lindas
essas
que eu não sei fazer.


Como escalar uma rima,
como pintar em inglês.


Perseguido por Van Gogh
num sonho de Kurosawa.


Posto que de repente
tornou-se algo de urgente
viver na mente dos gênios.


Sussurre estruturalista:
mas nunca é poesia!


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Sinopse: Atividade Paranormal VI


No ano de 2037 um fenômeno parapsicológico deveras intrigante abala a Grã-Bretanha e o mundo: com a morte da rainha Elizabeth II, o princípe Charles tranforma-se em Ray Charles.






Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

domingo, 17 de abril de 2011

domingo, 13 de março de 2011

Combustão

As letras quando incendeiam, pegam fogo.


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Umbigolatria

Chove sobre minha cara,

posto que não sou pateta, alarmoso nem covarde

para que se me cubra a face frente a nuvens de algodão.


Chove sobre minha alma,

pois que não sou violento, grosseiro ou tampouco tolo

para desfraldar bandeiras em terrenos de imaginação.


Chove sobre Santiago.

Foda-se.



Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Panacéia II

Preso no quarto escuro, junto a uma sucessão infindável de considerações e lembranças desagradáveis.

Talvez seja apenas a noite, madura demais para desejos tão infantis. Talvez seja algo mais perigoso, e o vazio em meu interior seja um pálido reflexo do infinito vácuo exterior, uivando e gemendo sua pressa em consumir-me junto a tudo o mais.

É uma noite moderna, e há tempos o neon e o cabeamento por fibra ótica varrerram da realidade as ameaças das sombras correndo pelas paredes nuas. No entanto, a despeito do que assegurem mil diferentes religiões, ciências ou psicologias, não posso deixar de preocupar-me com aquilo que sinto.

Dor, fome, medo, fúria. Deus queira o telefone ligue o motoboy que me traga com urgência duas caixas de alívio imediato, antes que meu peito exploda e reverbere com o vento, doses do mais puro e refinado sentimento.


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

domingo, 30 de janeiro de 2011

Panacéia

Oferece-se a cada um a medida exata daquilo que consegue apreender. Aos viciados as drogas, aos apaixonados o amor, aos sensatos os ceticismos, aos sofredores a dor.


Em duas ou três linhas, o mar de sensações no qual afogar as vilanias da existência.




Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves