sábado, 19 de julho de 2008

Demônios intangíveis

A vida é feita de pequenas bengalas. O início deve ser original, e o final desconcertante.
Mas é difícil fugir da linguagem comum, dos termos e temas constantes e repetitivos, e a bem da verdade, inovação não deve ser lá tão importante...
Vestir, conversar, namorar.
Comer, dormir e cagar.
Para cada verbo, uma normatização estrita, de caráter classificatório e eliminatório.
Quando mais idealista, imaginei escapar à grande engrenagem que é meio e fim em função do qual nascemos e morremos.
Aprender seus ritmos e compassos, e fazer da própria vida uma nota dissonante.
Mas não há ritmos ou compassos definidos. Inteirar-se do dominante é perceber outros, infindáveis, longínquos e inesperados. Mesclando-se.
Dispendemos mais tempo fingindo que fazer da vida uma obra de arte exige técnica e abnegação, do que tecnicamente nos abnegando a fazer da vida uma obra de arte.
Em nossa ingrata espera por milagres que nunca nos acontecem, nos distraímos com o que estiver mais a mão. Casamos e temos filhos, e nos tornamos irredutíveis em nosso apego a religiões, partidos e times de futebol. Existimos.
Eu escrevo.
Tento falar sobre bengalas e coisas do gênero, mas há endemoniados temas sérios que não param de me acorrer.

Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves


Um comentário:

nanoross disse...

NÃO É FÁCIL MESMO pAULO EU MESMO JÁ TENTEI MIJAR E PARAR E MIJAR E PARAR, MAS A GENTE ACABA ESQUEÇENDO E MIJA TUDO DE UMA VEZ SÓ....Q FODA....


Nano