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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Artes Circênicas



Enquanto todos se enlameavam tentando manter imaculada a sua auto-imagem, Sissi flertava com o caos.


De puta-bruxa a santa-maconheira, sempre pobre. E: - Oh, mãezinha!, quando lhe achavam rapazote.


Seu segredo era sempre dizer a verdade. E já que “a verdade” são múltiplas...


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves




domingo, 23 de novembro de 2008

O nexo dos anjos


Tudo que havia era espaço. Na mente, na "alma", nos olhos.
Estes, de tão vazios, tornaram-se opacos, chegando a existir quem simplesmente não soubesse distinguir-lhes a cor. Enquanto uns os afirmavam azuis, outros os garantiam vermelhos.
Tanta neutralidade constituía seu ser, que pouco se lhe diferenciavam os meios com os quais ganhava o pão. Artes ou assassinato, política ou prostituição. A vida é pródiga em opções quando mantém-se a mente aberta.
Certo dia, em meio à eterna disputa entre esquerda e direita que usava para impulsionar-se, magicamente dissipou-se e ascendeu aos céus.
Amantes e ex-amantes vieram a público afiançar-lhe a angelicalidade, posto nunca ter sido possível discriminar-lhe o sexo.

Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

sábado, 19 de julho de 2008

Demônios intangíveis

A vida é feita de pequenas bengalas. O início deve ser original, e o final desconcertante.
Mas é difícil fugir da linguagem comum, dos termos e temas constantes e repetitivos, e a bem da verdade, inovação não deve ser lá tão importante...
Vestir, conversar, namorar.
Comer, dormir e cagar.
Para cada verbo, uma normatização estrita, de caráter classificatório e eliminatório.
Quando mais idealista, imaginei escapar à grande engrenagem que é meio e fim em função do qual nascemos e morremos.
Aprender seus ritmos e compassos, e fazer da própria vida uma nota dissonante.
Mas não há ritmos ou compassos definidos. Inteirar-se do dominante é perceber outros, infindáveis, longínquos e inesperados. Mesclando-se.
Dispendemos mais tempo fingindo que fazer da vida uma obra de arte exige técnica e abnegação, do que tecnicamente nos abnegando a fazer da vida uma obra de arte.
Em nossa ingrata espera por milagres que nunca nos acontecem, nos distraímos com o que estiver mais a mão. Casamos e temos filhos, e nos tornamos irredutíveis em nosso apego a religiões, partidos e times de futebol. Existimos.
Eu escrevo.
Tento falar sobre bengalas e coisas do gênero, mas há endemoniados temas sérios que não param de me acorrer.

Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves