sexta-feira, 27 de abril de 2012

Resignação


Deixa
o que for que seja
tendo
o que se tiver
a despeito do que se deseja.

Carne morta no tecido da consciência
indolor e pálida
eterna
em significância.

Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Palatável reificação


Sob tantos e tão variados aspectos
morrer ainda é sinônimo de morte.

Como o açúcar no fundo das xícaras de café
ou o tempero doce no fundo do pacote de salgadinho
após tanto tempo aperfeiçoando-se na arte de ser a mesma maldita
e sobretudo,
coisa.

Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

sábado, 14 de abril de 2012

A vez da idade


Essa é a minha versão
sobre essa sua vida,
vaidosa
de ser você.

Ou essa sua vida de
minha vida de
verdade,
ainda vai esmaecer,
suave
quando encontrar sua vez.

Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Rosa dos tempos

A rosa do tempo presente
vermelha e lânguida
tem um nome a cuja cor não condiz.

A rosa do tempo presente
vermelho sangue
pétalas e espinhos esmagados sobre o asfalto.


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves




Rose of the times
The rose of the present time
red and languid
has a name whose color does not match.

The rose of the present time
red blood
crushed petals and thorns on the asphalt.





Rose des temps
La rose du temps présent
rouge et languissante
a un nom dont la couleur ne correspond pas.

La rose du temps présent
globules rouges
pétales écrasés et des épines sur l'asphalte.




Rosa de los tiempos
La rosa del tiempo presente
roja y lánguida
tiene un nombre cuyo color no coincide.

La rosa del tiempo presente
sangre roja
pétalos y espinas aplastadas sobre el asfalto.





Rose dei tempi
La rosa del tempo presente
rosso e languida
ha un nome il cui colore non corrisponde.

La rosa del tempo presente
rosso sangue
petali e le spine schiacciati sull'asfalto.





sexta-feira, 30 de março de 2012

Irrelatividade


Toda essa descida,
todo esse caminho,
todo esse querer.

É o ir e vir nauseante da vida
dando vida ao que não pode ser.

Um pedaço de papel,
meio traço de caneta
e nas curvas infinitas
- encontro de todas as retas -

deuses desfalecidos
desfazendo obras completas.

Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

sexta-feira, 23 de março de 2012

Psico-melodrama do vanguardismo arcaico

Não é de hoje
que não é de agora
que todas as cousas
d’antanho d’outrora
Babau!
quando vão embora.

Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves 

terça-feira, 13 de março de 2012

Subtérfugos

É o tempo,
fragmentando a vida
em sequências fortes de palavras frias.

Como a sombra negra sobre o pasto verde,
rasgando rumos na contramão dos caminhos.

Consequências quentes,
escaldando as  noites
pra ferver os dias.

Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Vai e vai


Faz dias
que faz noites

que faz noites
que faz dias.

Um segundo de cegueira sob a luz em movimento.

Que faz noites
que faz dias

que faz noites
que faz dias. 

Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

domingo, 7 de agosto de 2011

Drag King

O Sol é o astro-rei
e o rei tem que ser forte.
Mas só durante o dia
que a noite reina a rainha.


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

domingo, 31 de julho de 2011

Nem isso, nem aquilo

Não ponho o anel, não calço a luva
não calço a luva, não ponho o anel


não faço escolhas 
não mudo rumos
nem mando o mundo 
tomar no cu


posto que não cabe 
servir a dois senhores
a quem não se serve 
de senhor algum.


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

sábado, 23 de julho de 2011

Antologias

Como eu não consegui fotos do evento de entrega dos exemplares aos premiados nas edições 2009 e 2010 do Concurso Municipal de Contos, Crônicas e Poesias de Ponta Grossa que aconteceu há um ou dois meses atrás, mas estava decidido a criar um post com imagens relacionado ao evento (posts com imagens aparentemente atraem mais visitantes, talvez por facilitar o entendimento de quem não tem muita familiaridade com a leitura, como crianças de menos de seis anos...) decidi postar os scans dos livros com alguns comentários a respeito. 


Mas uma vez que ia postar as edições 2009 e 2010, decidi dar uma fuçada por aqui a procura de outros exemplares em que tivesse sido publicado algum de meus textos e encontrei mais duas antologias do ano de 2007, sendo a primeira a brochura Poemas de Ponta, que é resultado de uma parceria da UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa, também conhecida por Universidade Estadual do Paulo Gonçalves) com a prefeitura para divulgar artistas locais, e a segunda a edição do respectivo ano do mesmo concurso donde posteriormente saíram as edições que me motivaram a criar esse post. 


Assim sendo, tendo-lhes introduzido o conversê, às figurinhas: 







Essa é a capa do Poesia de Ponta que conta com uma minha participação. Ao que me consta, existiram edições anteriores do projeto, das quais eu não tenho nenhuma cópia.




Essa é a página onde saiu o meu texto, que como todos podem perceber, não saiu com o meu nome, e sim com o e-mail de contato que eu enviei. Isso porquê eu estava em Arapoti na época, e acessava a internet lá de vez em quando em uma lan house, e o e-mail da prefeitura avisando da minha participação foi pro lixo como spam sem eu nem notar. Quando compararem com as postagens nos blogs, percebam também como eles "corrigiram" meu texto, tirando da penúltima estrofe a crase que dá todo o tchans estiloso à trama, dizendo sem falar nada coisas que só quem entende pode enxergar.  


Quer ver uma coisa que cresce na mão? Clique na imagem! Quer ver a postagem original desse texto no Nosso Garfo de Cada Dia (blog coletivo nascido de uma iniciativa da Thaty Marcondes, ativista da cultura no município, onde eu comecei a publicar meus textos) clique aqui. Quer ver a postagem desse mesmo texto no Seuvício? Clique aqui. O legal desses links pra postagens antigas é acompanhar a reação dos visitantes através dos comentários. Recomendo.





Essa é a capa da primeira edição do concurso municipal em que saiu um texto meu. Essa edição teve o evento de entrega mais luxuoso, no recém-reformado Cine-Teatro Ópera (obra que a mídia conservadora local chamava de desperdício, pois pra eles só o que importa é abrir novos loteamentos, né?), e eu caipiramente não beijei a hostess, ao contrário de todos os outros premiados. 




Aqui o texto que entrou pra essa antologia de 2007, nas páginas finais do livro, porque entrou através da Poesia no Ônibus, que é uma premiação paralela e mais popular, e para a qual alguns autores da região torcem o nariz, já que a premiação não é em dinheiro, e sim em livros e veiculação nos coletivos. Depois reclamam quando não conseguem atingir o público...


Eu, particularmente, creio que cada modalidade tem suas vantagens. Claro, é bom receber os dois ou três ou sei lá quantos mil reais que andam pagando nesses concursos ultimamente, mas esse lado da interação com os leitores, de gente que você nem imaginava que sabia ler, vir do nada te contar o quanto gostou ou odiou ou achou seu texto singelo ou nojento é muito divertido. 


Sobre essas reações, tenha uma pálida idéia acompanhando os comments aqui (no fim da página tem o post duplicado) e aqui


Em 2008 eu não lembro se não teve concurso, ou se eu não fui selecionado, ou se não tinha dinheiro pro correio... Mas de qualquer forma, entrei pelo Poesia no Ônibus de novo em 2009. 


Aqui o texto do poema que se oculta por trás da ocultice da poesia... Nessa edição a premiação foi lá na VCG (empresa de ônibus da cidade que detém um monopólio perfeitamente legal mas totalmente imoral - o que é um paradoxo em se tratando de contratos públicos que devem ser regidos pelo princípio constitucional da moralidade, não é mesmo? - que vêm tentando através de campanhas de marketing, e do apoio a projetos populares como o poesia no ôbus, limpar o filme queimado junto à população da cidade) e eu pedi pra o povo ir fedido e mulambento aparecer na televisão, mas ninguém pôde porque era de tarde... 


Mas não tem problema, várias outras pessoas bonitas e elegantes compareceram, e juntos comemos empadinhas e pão com  patê até o cu fazer bico.

Postagem no Nosso Garfo (pra você ver como o mundo é injusto, no comments nessa premiadíssima composição) e postagem aqui mesmo (altos comments de altas gentes reais e imaginárias!).




Capa da antologia de 2010. Que coloridão bonito, né? Dessa vez não entrei pelo ônibus, ganhei menção honrosa. Pior jogo, não recebo nem divulgação no busão, nem a grana dos preibói, só os livros e coisa e tal. Mas fazer o que né? Diz-se que um camponês inculto como eu não deve esperar muito da vida sob pena de decepcionar-se amargamente...




Dessa vez foi um conto. Segundo o edital, o concurso era pra micro ou mini-contos, mas conhecedor dos pendores dos juízes locais, eu mandei esse contão prolixo aí do lado. É que eu sigo ao pé da letra os conselhos do Tchecov e corto todo elemento dispensável à narrativa. E, em tempos de pós-estruturalismo, acabo com contos de uma linha (ou menos).


Eu poderia jurar que tinha postado esse mesmo contão no Nosso Garfo, mas procurei de todo jeito e não achei. Assim sendo vai um link só mesmo.




Esse ano eu não tinha dinheiro, então não me inscrevi em nada. Eu não sei dizer se os concursos literários de Ponta Grossa têm uma categoria nacional, mas parece que eventualmente sim. Tinha um edital aberto até esses dias, quem se interessar pode procurar no site da prefeitura de Ponta Grossa, ou na comunidade Concursos Literários no orgute, que sempre tem anúncios desse tipo de parada doida.

sábado, 16 de julho de 2011

Paraísos pós-modernos

Num tempo

em que as laranjas são mecânicas
e os amores
conceitos pré-fabricados a pedido do freguês

o paraíso neo-dândi
são buquês artificiais,

nos quais cheirar
hoje
as emoções de amanhã.

Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

sábado, 9 de julho de 2011

Ruminâncias

Quando o caminhar monótono em busca da absorção da grandiloqüice do mundo foi interrompido em nome das regras, horários e convenções que ditam o passo do convívio social, a insubserviência crônica e explícita a todo tipo de código de comunicação ou conduta foi tida como domada.

Mas os caminhos ainda eram os mesmos, e aqueles que os percorriam ainda rumavam ao mesmo fim.


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

terça-feira, 5 de julho de 2011

Palavra e meia é bobagem

Para meio entendedor, boa palavra é bosta.
Para o meio entendedor, boa palavra basta.


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Noites áridas


Meia-noite
pouco sono
menos sonho

e as lembranças de um antigamente tão próximo

cuja presença

ainda impregna os caibros deste meu leito

que se não é de morte
tampouco se presta a qualquer tipo de vida.


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves