segunda-feira, 27 de junho de 2011

Movimento



Pois morrer é isso mesmo, alimentar-se de lembranças até esquecer tudo e acabar virando outra coisa.

Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Estática

E se existe o que não se compreenda sobre quem não está aqui para disputar entediantes jogos de poder, é que há algo de suave na constância do toque de múltiplos cosmos em desvanecimento.



Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Obliteração


E dizia-se
que era assim que se faria
para conquistar-se o mundo.

Esquecendo
que era assim que se esquecia
quando esquecia-se tudo.

Como se a vida
fosse esgrimir em palavras
ou um simples rememorar rimado. 

Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Distinção

O dia é para ser visto
e a noite para ser ouvida,
bem como as ciências sociais são, hoje, 


hiato


entre as especulações metafísicas de ordem Kantiana
que serão ontem,
amanhã.




Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

sábado, 30 de abril de 2011

Cartas à Thoa

São todas coisas tão lindas
essas
que eu não sei fazer.


Como escalar uma rima,
como pintar em inglês.


Perseguido por Van Gogh
num sonho de Kurosawa.


Posto que de repente
tornou-se algo de urgente
viver na mente dos gênios.


Sussurre estruturalista:
mas nunca é poesia!


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Sinopse: Atividade Paranormal VI


No ano de 2037 um fenômeno parapsicológico deveras intrigante abala a Grã-Bretanha e o mundo: com a morte da rainha Elizabeth II, o princípe Charles tranforma-se em Ray Charles.






Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

domingo, 13 de março de 2011

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Umbigolatria

Chove sobre minha cara,

posto que não sou pateta, alarmoso nem covarde

para que se me cubra a face frente a nuvens de algodão.


Chove sobre minha alma,

pois que não sou violento, grosseiro ou tampouco tolo

para desfraldar bandeiras em terrenos de imaginação.


Chove sobre Santiago.

Foda-se.



Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Panacéia II

Preso no quarto escuro, junto a uma sucessão infindável de considerações e lembranças desagradáveis.

Talvez seja apenas a noite, madura demais para desejos tão infantis. Talvez seja algo mais perigoso, e o vazio em meu interior seja um pálido reflexo do infinito vácuo exterior, uivando e gemendo sua pressa em consumir-me junto a tudo o mais.

É uma noite moderna, e há tempos o neon e o cabeamento por fibra ótica varrerram da realidade as ameaças das sombras correndo pelas paredes nuas. No entanto, a despeito do que assegurem mil diferentes religiões, ciências ou psicologias, não posso deixar de preocupar-me com aquilo que sinto.

Dor, fome, medo, fúria. Deus queira o telefone ligue o motoboy que me traga com urgência duas caixas de alívio imediato, antes que meu peito exploda e reverbere com o vento, doses do mais puro e refinado sentimento.


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

domingo, 30 de janeiro de 2011

Panacéia

Oferece-se a cada um a medida exata daquilo que consegue apreender. Aos viciados as drogas, aos apaixonados o amor, aos sensatos os ceticismos, aos sofredores a dor.


Em duas ou três linhas, o mar de sensações no qual afogar as vilanias da existência.




Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Ciência contábil

Eu sei,

e conhecimento é poder.


Contra as tensões padronizadas

do convívio social

onde vento é só vento,

manifestação mecânica do movimento do ar,

eu sei.


Acompanhar seu ritmo

e no transe induzido da dança caótica através dos tempos,

deixar-me levar pelo espaço imutável,

que nunca é igual.


Pés firmemente plantados no ar

e a plena consciência

de que conforme a matemática

dois mais dois

são mais dois

mais dois.


Eu sei

assim como sei quem não sabe

embora não saiba ao certo

saber quem sabe também.


Talvez por isso

continue errando tanto nas contas

de mais dois

mais dois.


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Engenho econômico

A despeito da total imobilidade que sinalizava o desespero de seu niilismo obssessivo, ninguém, por incompetência estética ou compassiva, estendeu-lhe a mão.

Talvez um tiro na boca lhes reavive a memória - arquitetou, da imensidão solitária das cinco paredes do orçanatório estatal.


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Etnometrice

Sobre o que sem valor ou sentido
sobretudo,
alucinações.

Sobre tudo que não presta,
sobretudo o que atesta
o oco ao vazio.

Sobre embriaguez e crendices,
sobretudo os sinais nas promessas,
piscadelas com fins de etno-meteção.

Sobretudo,
sobremaneira,
método;
sobre tudo.


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves



sábado, 14 de agosto de 2010

Auto-estima

Todo mundo tem seu modo,

todo modo tem seu mundo.


Seu lago,

seu narciso,

sua vida,

sua luz.


Que se perde num jogo de espelhos,

num segundo suicida de auto-reflexão.


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves