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domingo, 13 de julho de 2008

Desvelo

É como quando, ao adormecer ou despertar, nos encontramos suspensos.

Quando a indefinível sensação do vácuo sempre a espreita adquire realidade física num silêncio ensurdecedor.

Privada de todos os sentidos, a vã consciência vaga, prisioneira da suprema liberdade de não diferenciar sono ou vigília.

No entanto, para todo sempre, percebe-se condenada.

Abrem-se os olhos.


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

domingo, 22 de junho de 2008

Da vida, o problema é viver


Fico em casa respirando.
Com dificuldade.
No fundo, dentro do peito
é o coração que me bate.


É meu sangue, fino e grosso
que escorre de dentro de mim
desaguando em velhos rios
que nunca mais terão fim.


Culpo o pecado e o vício
me debatendo a debalde,
mas sei desde o primeiro início:
No fundo, dentro do peito, é o coração que me bate.


Domingo é um dia ambíguo. Alfa e ômega, princípio e fim. Como ambígua é a vida. Como ambíguo é, forçosamente, o escritor.


O fecho se dá ao reverso, no primeiro início de uma tentativa talvez vã, mas não tão plena em alegrias ou decepções quanto se poderia supor de antemão.


Eu, que vivo para o nada, muito em breve voltarei ao pó. Das estrelas, o que me resta é essa insistência em brilhar para dentro.


Não fosse assim tão tímido, diria que toda vida, assim como todo orgasmo, não passa de uma súbita implosão...


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves


Postagem original

domingo, 6 de abril de 2008

Humor

Eu não amo, eu húmus.

Pois conquanto seja o cérebro fértil,

o peito é tal qual um deserto de sal.



Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves