domingo, 28 de março de 2010

Imprevidência

Lôco de morto de tudo, andava de aí em aí, com acesso irrestrito a todas as portas para todos os segredos. Mas abria-as parcimoniosamente, por não saber se haveria mais o que fazer pelo resto da eternidade.


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves.

domingo, 21 de março de 2010

Só eu, meu

Meu mundo
não tem nada de meu.

Minha vida
não tem nada de meu.

Exceto eu,
sufixação metafórica
conjugada de mim.



Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

sexta-feira, 12 de março de 2010

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Luz Negra


A opção por encher a “alma” com as músicas tristes de suicidas ou masoquistas deve ter sido minha.


Digo deve porque, enquanto não tivermos a exata medida entre o peso de genética e cultura na composição daquilo a que usualmente denominamos livre-arbítrio, fica difícil precisar quem escolhe o quê.


Inegável é que o tipo de ironia a que tanto prezo e que tantas alegrias tem me proporcionado se encontra presente nas composições de tais sujeitos de forma marcante. E poderia ser diferente? A obra de alguém que despreza a própria vida, ou tem valores tão diferentes dos considerados habituais a ponto de encontrar prazer destroçando-a, tem de, necessariamente, possuir uma alta carga de cinismo para fazer-se notar.


Mas isso é apenas o que diz o meu ponto de vista, ou instinto. Talvez sejamos todos como mariposas, voando desesperadamente em torno da tonalidade de “luz” que mais nos agrada. E que, após perderem a capacidade de vôo, se esforçam por explicar umas às outras a óbvia causa de suas desgraças.

Paulo Eduardo de Freitas maciel de Souza y Gonçalves


domingo, 3 de janeiro de 2010

Papel social

Sempre fiel ao cabresto auto-inflingido através das aulas de marketing pessoal, trocou o terno semi-escuro pelo terno mais-escuro, mudou o nó da gravata para um sóbrio Windsor bi-lateral multi-compatirmentado em três tons, e foi para a rua confiante de que a todos quantos o viam passava eficientemente a mensagem de sua promoção de A4 para "letter".


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Etimologia

E quem então nessa vida é que me há de convencer


que se o Trabuco é neto de um velho Trebuchet,


não seriam também, Ferpas e Felpas primos


e conforme seu caráter,


se mais áspero ou macio,


Ferpudos ou Felpudos


o apelido de seus filhos.


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Poema no ôbus

O Projeto Poesia no Ônibus é uma das iniciativas surgidas através da gestão participativa e colocadas em prática no governo do ex-prefeito municipal Péricles de Holleben Mello em Ponta Grossa - PR.


Segundo a proposta original, era pra se chamar Poesia no Lombo e distribuir camisetas estampadas com poesias de artistas da região para a população princesina. Eu sei porque ainda tenho em algum lugar o rascunho da ata da reunião do grupo de literatura com o nome sugerido por mim mesmo.


Como os meios políticos regionais continuam tradicionalmente refratários a idéias mais arrojadas ou incomuns (ainda que só no nome), o projeto acabou sendo reformulado para se tornar o atual Poesia no Ônibus, em que, através de concurso municipal, algumas obras são anualmente selecionadas para serem expostas por alguns meses nos coletivos públicos da cidade.


A primeira vez que participei tive selecionada a poesia "Como eu amo você", que está a uns dois ou três posts abaixo, e no concurso desse ano selecionaram a "Poema Oculto", que reproduzo nesse post. É a terceira ou quarta vez que um texto meu será publicado em uma coletânea de artistas locais. Eu sei que isso não é motivo para vangloriar-me, nem é essa minha intenção.


Eu só queria convidar a quem puder pra piar quinta agora dia dez as quatro da tarde na garagem da VCG perto do Fórum comer um pão com xaxixo que o pessoal tá disponibilizando. Não tomem banho nem troquem de roupa a partir de hoje, que vai ter inclusive imprensa de fora cobrindo, diz que.


Link oficial. Valeu Tonhão por lembrar!


Poema Oculto


Ela é totalmente pura

e eu como o calor da neve.


Como a flor da margarida,

como a flor da Margarete.


Como a flor da própria vida,

como vida que derrete...


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Jargão café-com-leite

Talvez a palavra sem nexo

seja somente reflexo

da identidade perdida.


Da mentalidade caçada,

cansada,

emboscada,

abatida.


O eu,

lutando por sua unidade

na era sem fim das multitudes mundiais.


Talvez seja apenas engodo,

peão e engrenagem no jogo

de manter-se super

estruturas tão banais.


Talvez quiprocó de si mesmo,

o homem caminhando a esmo

resolveu de dar risada...


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Hora degradê

Vai então,

ser top model do próprio destino,

da verdade onipresente,

da impotência em revidar.


Viver suas rimas

tão cheias de prosa,

tão ricas,

tão infelizes.


Vai,

interpretar os tais sonhos escolhidos a dedo,

que falar por falar sem falar por si mesmo

é imensa ousadia pra quem nada diz.


Vai,

ao pregão dos leiloeiros do caminho que é sem volta,

já que o valor do lance também pouco lhe importa

quando a vã recompensa são embalos de sábado adeus.


A horta dos sonhos meigos é regada a palavras chulas

e exige bem mais trabalho que a indústria da eterna mesmice.


Então vai você, que eu fico por aqui mesmo,

sabedor que seu vinerlóser não passa de moeda de troca no câmbio da ideologia, analfabeticamente rendido ao mantra:

Muito karma nessa hora...


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Parabéns pra você

E vai passando cada vez mais rápido
e vai ficando mais e mais igual.

Ainda ontem era outro dia
agora hoje é um dia a mais.

E eu creio é claro que uma tal rotina
não seja nunca
nada,
jamais;

ou seja eterna
pra sempre,
fatal.

Talvez apenas o mais velho engano:
cérebro humano
corpo de metal.



Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Como eu amo você

Amo você como quem ama um carro.
Como quem ama fumar um cigarro.
Amo você por amor ao prazer.

Amo o prazer de andar de braço dado,
de ser somente eu a caminhar ao seu lado
e a inveja que causa esse nosso caminhar.

Amo sobretudo a calma e a certeza
de saber a quem pertencem
você e sua beleza,
amo a luxúria que existe em amar.

Amo o amor como aquele que amaria
a mais linda beldade
a quem aprouvesse um dia
tomar a liberdade de apenas deixar-se amar.

Amo você algo que casualmente,
por ter nos posto a vida
lado a lado simplesmente
tendo-me então imperado:
- Tu! Põe-te a amar!

Amo você como quem ama bocas
que por não ser nenhuma,
torna-se então em todas
Pois o que amo é o êxtase
que qualquer das bocas dá.

Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves


terça-feira, 22 de setembro de 2009

Masculinidade

"Esse aqui, com cheiro de homem."

Descrição usual ao apresentar o próprio quarto, retângulo cúbico lotado de tênis e sapatos, cuecas, moletons, bermudas e camisetas suadas.

Especial desafeto era dedicado àqueles que, em nome da própria macheza, alegavam alergia a todo tipo de contato masculino, recusando-se a dormir em qualquer aposento que não o próprio.



Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

Link para a postagem original. Retardado. Mesmo.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Vestido para matar

Foi amassado, beijado, lambido, chupado e gozado. O silicone, vestido de mulher.



Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves



Link pra postagem original, não precisa ser um gênio pra entender, né jacuzada?

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Alerta!


O cachorro que teimava em pular o muro de casa para tentar embuchar minhas cadelas no cio lá em Ponta Grossa também existe em Arapoti.


Pode ser coisa de ficção cientifica ou apenas coincidência, mas o bicho passou por mim dia desses, me olhou nos olhos e tomou aquela postura canina de quem espera um chute, uma pedrada ou um duelo; pescoço virado, rabo teso e pernas prontas a explodir num frenesi de movimento.


Se ele dissesse: - Geraaaaaaaldo; eu provavelmente ficasse bem de cara, muito embora minha sopesada postura blasè evidentemente me impedisse de externar a algum transeunte fortuito ou curioso a surpresa que ia por minh’alma.


De fato, pequenos e eventuais contatos com o além mutcho-lôco não são exatamente uma novidade em minha jovem existência. Lembro muito bem da noite em que, após secar um galão de Cascola no meio do mato, ao nos darmos conta de que todos os três presentes eram do pródigo ano de 1978, três alvissareiros cavalos brancos surgiram, obrigando-nos a polidamente recusar seu convite à montaria por medo de abdução extra-dimensional ou ruptura pescocional, o que, no fim das contas, provavelmente daria no mesmo, ao menos aos olhos de todo o universo dos não presentes no local naquele exato momento.


Cada um com suas habilidades, karmas ou dons. Tenho um amigo que criou fama na relativamente obscura arte de pisar em bosta. Seus prodígios na área correram o mundo e em outra oportunidade terei muito prazer em relatá-los caso haja interesse do público. Outro, sabe-se lá por qual acaso do destino, é um verdadeiro imã para bêbados, vagabundos e desdentados em geral, venham estes para colorir ou acinzentar nossos dias.


Tal traço em muito se assemelha à minha notória afinidade com qualquer enxergador de visagens, esquisitofrênico ou epilético que porventura esteja nas redondezas. Vários dentre tais personagens, seja reconhecendo pelo cheiro ou pela essência, acabam por encontrar-me e tornarem-se meus amigos ou admiradores, no mais das vezes em virtude dos textos ou causos com que lhes brindo, pessoalmente ou via internet.


Você, que tem por hábito recorrer a meus escritos a fim de obter instrução ou entretenimento, procure já o vidente, pajé ou neurologista de sua confiança, devidamente munido de seu eletro-cárdio-encefalograma ou mapa astral magnético, pois o diagnóstico precoce contribui para a cura definitiva.


Caso a patologia se encontre em estado avançado e intervenências de espectros de animais falantes sejam uma constante, suspenda imediatamente o uso de solventes e benflogináceos, sob pena de o quadro tornar-se irreversível.


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves