Para o meio entendedor, boa palavra basta.
Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves
Chove sobre minha cara,
posto que não sou pateta, alarmoso nem covarde
para que se me cubra a face frente a nuvens de algodão.
Chove sobre minha alma,
pois que não sou violento, grosseiro ou tampouco tolo
para desfraldar bandeiras em terrenos de imaginação.
Chove sobre Santiago.
Foda-se.
Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves
Oferece-se a cada um a medida exata daquilo que consegue apreender. Aos viciados as drogas, aos apaixonados o amor, aos sensatos os ceticismos, aos sofredores a dor.
Em duas ou três linhas, o mar de sensações no qual afogar as vilanias da existência.
Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves
Eu sei,
e conhecimento é poder.
Contra as tensões padronizadas
do convívio social
onde vento é só vento,
manifestação mecânica do movimento do ar,
eu sei.
Acompanhar seu ritmo
e no transe induzido da dança caótica através dos tempos,
deixar-me levar pelo espaço imutável,
que nunca é igual.
Pés firmemente plantados no ar
e a plena consciência
de que conforme a matemática
dois mais dois
são mais dois
mais dois.
Eu sei
assim como sei quem não sabe
embora não saiba ao certo
saber quem sabe também.
Talvez por isso
continue errando tanto nas contas
de mais dois
mais dois.
Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves