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quarta-feira, 7 de julho de 2010

Bizorra

Soube que seguramente teria uma vida breve, acabada na fulgurante desgraça dalguma calamidade individual ou coletiva quando surpreendeu-se imaginando as vantagens de envelhecer.


Mais um pouco e teria filhos, gastando a alma e tornando-se visível aos olhos cobiçosos de uma miríade de egos infláveis, ao amálgama indistinto de todas as consciências tortuosas que julgavam-se abençoadas pela maldição de não morrer.


E na consideração da plausibilidade da insanidade a tanto tempo impingida foi que descobriu-se comum e medíocre, bem de acordo com a regra implícita que impõe ao loco que é loco que não o admita.


Assim, num universo de indescritível pequenez, alcançou a proeza de tornar-se no super-inseto bizorra, que lê o futuro de trás pra diante e age de cor e salteado na esperança de, através da média aritmética, manter os cantos de seu mundinho nos devidos ângulos de 90º.


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves