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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Pingo d'Ouro

Tudo que sou hoje em termos de saúde e bem estar, devo à minha professora de história da sexta série, que me ensinou a dieta do mediterrâneo: trigo, azeite e vinho. Foi por causa dela que passei a me alimentar exclusivamente de Pingo d'Ouro e Campo Largo, o que me trouxe indubitáveis benefícios ao longo dos anos.
A ventura de conhecer a gaiola de uma daquelas ipanemas da PM por dentro, por exemplo, eu credito ao delicioso vinho Campo Largo - só que nesse dia acompanhado de xarope pra tosse, aquele que nos revela a verdade em sonhos, e não de farinha salgada artificialmente tratada para ter gosto de bacon fake.
Era uma tarde de Copa do mundo, muito tempo atrás, e como um ato simbólico eu joguei fora meu relógio, meu dinheiro, e sabe-se lá mais o que. Um Easy Rider sintético, doze horas de emoção alucinógena e redescobertas à flor da pele. Experiências xamânicas são uma porra da porra.
Eu não sei a troco de quê a polícia veio. Se pela pedrada na cabeça do meu amigo, pelo furto dos cds do Exaltasamba, ou pela ameaça de morte a um transeunte desavisado - desculpa aí senhor transeunte, na hora eu achei que falava com uma raposa.
Chato mesmo é a volta à realidade cotidiana, tendo-se uma vez viajado pelos confins do universo, testemunhando o indescritível. O que nos salva da morte por tristeza, nesses casos, é o nosso egoísmo. Porque morrer atropelado numa rua do interior é uma coisa besta, mas morrer numa batalha épica no fim dos dias é algo bem mais aceitável. Se não por honra ou coisas do gênero, pelo menos pela companhia...
É por essas e outras que eu tomei uma firme decisão para o resto da minha vida: entrar pelado em igreja de crente e postos de gasolina, nunca mais! Um cidadão responsável precisa cuidar da própria imagem, e agora estão instalando câmeras de vigilância pela cidade. Sabe-se lá o que esses burocratas pervertidos vão fazer com o meu filme.
Sem falar que esse tipo de notícia corre rápido demais. Passei pela Quadrangular numa quarta, e quinta já tinha gurias da Universal ligando lá em casa...

Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

domingo, 30 de dezembro de 2007

Pingo d'Ouro

Tudo que sou hoje em termos de saúde e bem estar, devo à minha professora de história da sexta série, que me ensinou a dieta do mediterrâneo: trigo, azeite e vinho. Foi por causa dela que passei a me alimentar exclusivamente de Pingo d'Ouro e Campo Largo, o que me trouxe indubitáveis benefícios ao longo dos anos.

A ventura de conhecer a gaiola de uma daquelas ipanemas da PM por dentro, por exemplo, eu credito ao delicioso vinho Campo Largo - só que nesse dia acompanhado de xarope pra tosse, aquele que nos revela a verdade em sonhos, e não de farinha salgada artificialmente tratada para ter gosto de bacon fake.

Era uma tarde de Copa do mundo, muito tempo atrás, e como um ato simbólico eu joguei fora meu relógio, meu dinheiro, e sabe-se lá mais o que. Um Easy Rider sintético, doze horas de emoção alucinógena e redescobertas à flor da pele. Experiências xamânicas são uma porra da porra.

Eu não sei a troco de quê a polícia veio. Se pela pedrada na cabeça do meu amigo, pelo furto dos cds do Exaltasamba, ou pela ameaça de morte a um transeunte desavisado - desculpa aí senhor transeunte, na hora eu achei que falava com uma raposa.

Chato mesmo é a volta à realidade cotidiana, tendo-se uma vez viajado pelos confins do universo, testemunhando o indescritível. O que nos salva da morte por tristeza, nesses casos, é o nosso egoísmo. Porque morrer atropelado numa rua do interior é uma coisa besta, mas morrer numa batalha épica no fim dos dias é algo bem mais aceitável. Se não por honra ou coisas do gênero, pelo menos pela companhia...

É por essas e outras que eu tomei uma firme decisão para o resto da minha vida: entrar pelado em igreja de crente e postos de gasolina, nunca mais! Um cidadão responsável precisa cuidar da própria imagem, e agora estão instalando câmeras de vigilância pela cidade. Sabe-se lá o que esses burocratas pervertidos vão fazer com o meu filme.

Sem falar que esse tipo de notícia corre rápido demais. Passei pela Quadrangular numa quarta, e quinta já tinha gurias da Universal ligando lá em casa...



Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves



Texto originalmente publicado aqui:

http://nossogarfodecadadia.blogspot.com/2006/07/pingo-douro.html