sexta-feira, 7 de março de 2014

Malícia

Malícia Sílvia
Malícia Morena
não sabe o que diz
mas é sempre adulada.

Malícia,
nascida pecado. 

Precisa malícia.
Precisa mais nada.




Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

domingo, 6 de outubro de 2013

Vento venenento

Somos N.

Nas baNaNas
somos aliteração.

Gritando verdades aos quatro ventos
puro veneno
embutido em traição.

Somos nossos próprios nomes
que se dizem nomes próprios
eivados de vícios e ócios
vazios em variação.

Mas não.

Antídoto conforme o vento
somos caos causador de alento
constância e constatação.

Pois que o exato oposto
é menos fazer de outro jeito
que causar oposto efeito.



Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Hemisférios

Metade do som
e da poesia do mundo
não seria som e não seria mundo
se não houvesse você.

A outra metade
– mundo de som e poesia –

seria.

Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Falácias

Aquilo que não se faz
quando se faz, não se fala;

quando se fala, se fode.

Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

quarta-feira, 29 de maio de 2013

A suavidade do peso

O vento é suave
e a água é pesada.

Subprodutos múltiplos
da decomposição de núcleos
de ação familiar.

Suave é água
e pesado é o vento
sujeitos complementares

de inação ao mesmo tempo.

Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

terça-feira, 21 de maio de 2013

Doce de sonho


Tudo que resta é o sonho
que a realidade
não satisfez.

Pequeno pedaço
de tempo disperso
ao sabor das vagas
de ondas do universo

instante imutável
envolto em querer.

Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

sábado, 16 de março de 2013

Solvente universal

Daqui
o que sei 
que precisarei

são minhas aulas de vôo
a verdade
travestida em sonho

e a fria escuridão da madrugada
que à luz de qualquer fogo
transforma-se em nada.


Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

Antíteses

- Opa.
- Apo.

- Aham.
- O sapo.

Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

domingo, 23 de dezembro de 2012

Os arquivos Rasputin: Um negócio dos infernos


Chipo Schneider teve um sonho com fogo e mulheres afogadas. Então saiu pelo castelo a descobrir câmaras secretas e uma história que abalaria a região: o grande incêndio que se abatera sobre a vila em fins do séc. XIX fora na verdade obra de Suzy Psicopatinha, que achou um jeito de unir num mesmo evento seu amor pela fotografia e seu ódio pelos habitantes do vilarejo.

As fotografias macabras e todas as provas do crime encontravam-se em uma cripta hermética, guardadas por uma sociedade secreta dedicada a provar a inexistência de bobagens parapsicológicas através da falsificação e reprodução de crimes sobrenaturais.

Só então, observando os detalhes da decoração e as próprias mãos, foi que Schneider entendeu: estava nos anos 50, em plena viagem astral, revivendo os últimos momentos de Lily Rosembaum, sensitiva assassinada pela seita para não revelar suas descobertas, dada como morta em um conflito paranormal. Isso explicava os sonhos com água. Não eram parte da trama do castelo, mas sim um pedido de socorro por parte dos espíritos dos marinheiros de um galeão espanhol amaldiçoado por uma bruxaria encontrada nos destroços de um velho navio viking saqueado há séculos, a qual era parte do destino de Lily desvendar.

Com seu assassinato, as energias residuais de seu espírito atormentado procuraram por décadas alguém de capacidade equivalente para resolver sua situação, e era a premência desta agonia que se manifestava através dos sonhos com água.

Ao acordar à escrivaninha do escritório, Scheneider tomou o telefone e disse à secretária que comunicasse ao sobrenatural que estava assoberbado e recusando casos intrincados como o que lhe fora exposto esta tarde, mas que lhes recomendasse o nome de Jack Palanhengo, médium competente e módico nos preços.

“Prevejo que esse caso ainda vai acabar levando Jack pro inferno” – pensou sorridente, sem atentar para a visagem que lhe implantava escutas em pleno cérebro…

Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Quero-quero


Quero o que quero
na hora que quero,
do jeito que quero,
sempre que quero.

Não ter o que quero
na hora que quero,
do jeito que quero,
sempre que quero

É o que menos quero.

Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Fundação Roquete Fogo


E os homens
em tresloucada foguetologia
sobrevivem ao próprio tempo
à custa de outros corpos.

E nos momentos mais vivos
carregam junto consigo
a impressão de estarem mortos.

Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Prólogos sobre epílogos mutuamente intercambiáveis


As vezes nós somos gatos
e a vida uma geladeira velha
que usamos como poleiro
ignorantes de sua verdadeira função
e da porta que se fecha
e nos mumifica hermeticamente
pela eternidade de inúmeras eras.
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Tsavo Misandril era um menino consciente, conforme pude comprovar na primavera de 1984, ao encontrá-lo brincando no lixão que até então julgara de minha exclusiva propriedade lúdica.
- Aqui – disse-mo sem mais delongas – me ajude com isso. Arrancando a porta da geladeira velha.
- Para que nenhuma criança pequena corra o risco de ficar presa até o sufocamento – teve a gratidão de contar-mo em pagamento.
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Tsavo Misandril era eu, ou ao menos algum de meus alter-egos fantasiosamente inexistentes, e como tal nunca fechou as devidas portas, deixando livres em seu curso as geladeiras, arapucas donde encontraram fim nebuloso talvez uns sete gatinhos.
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Tsavo Misandril era você, mergulhado firmemente na pequenez do dejeto humano, a descobrir novas formas de cruel diversão, arrependimento e repulsa.
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Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

sábado, 20 de outubro de 2012

Idas


A vida vai

viva

como sempre.

Na metade do possível

diferente.

Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Nometria


Viver é vício
torrente de desejos
que nos traga desde o início.

Morrer é o exato oposto.

Um desapego profundo
em que abrimos mão do mundo
quando o vício perde o gosto.

Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Lanchinho da madrugada


Pão com alguma coisa.

Comer e cagar
é só começar.

Pão com talvez salsicha,
puro pão com talvez vina.

Rima
essa minha sina.

Três maionese por cima!

Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves